quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

GOVERNO ROLLEMBERG E OS SETE DIAS QUE PODEM ABALAR O DF

OPINIÃO

Sete dias do novo governo Rollemberg e o que de concreto se pode observar é que a paciência do cidadão pode ter ficado menor.
O eleitor, cidadão comum, já se acostumou com o “ter que dar um tempo” para um novo governo quando ele começa. Formar sua equipe para fazer um balanço da situação e, a partir daí, arrumar a casa tem sido a receita aprendida. Tarefa que, em alguns governos, já consumiu mais de um ano, mesmo que todo governo tenha obrigação de saber que o Estado é um contínuo que não pode e não deve parar, pois é a sociedade que sofre as consequências. Mas o eleitor tem esperado pacientemente. No caso do novo governo Rollemberg, no entanto, a situação poderá ser bem diferente.>>>
Eleito com o voto dos descontentes com o governo Agnelo; com os votos marinistas esperançosos e emocionados no pós-morte de Eduardo Campos e fugindo de uma reprise com a turma arrudista, o governo Rollemberg arregimentou movimentos, entidades, associações e representações abandonadas nos quatro anos do seu antecessor.
Passado o susto da derrota e da vitória, próprios dos que se aventuram na onda misteriosa das urnas, o novo governo Rollemberg debruçou-se nos sessenta e seis dias de transição que se seguiram. Reuniões, levantamentos, números e a população esperando.
Das entranhas do velho governo, o monstro do rombo no caixa ganhou as páginas dos jornais, tristemente confirmado pela falta de dinheiro para pagar as contas dos trabalhadores e honrar contratos em andamento. Esperar foi a solução.
Transmitido o cargo e renovadas as esperanças, a população sintonizada assistiu os sete primeiros dias do governo Rollemberg. Pouco tempo para querer soluções, disseram e dizem os que compreendem a enorme e difícil tarefa de governar o Distrito Federal.
Mas, silenciados os rumores dos derrotados, dos críticos contumazes e dos céticos de sempre, os insuficientes sete dias para solucionar os problemas podem ter sido suficientes para ver o rascunho do futuro do Distrito Federal.
Falta de pessoal para compor o governo. Nomeação de pessoas sem conhecimento da máquina pública ou com problemas que deveriam ter sido identificados antecipadamente. Quarto e quinto escalões alçados a cargos relevantes por estranhas afinidades pessoais. Exoneração de novos nomeados que nem tiveram tempo de colocar o paletó na cadeira. Provisórios por todo lado e pessoal contratado “sem ônus” rechearam o diário oficial do GDF. A justificativa política foi a composição de uma equipe técnica, glamourizada pelos baluartes da UnB, cujo caos de incontáveis administrações não valoriza currículos. E seguem os sete dias, sob a batuta de sete decretos iniciais do governo.
Assustados com a reação saudável das periferias, que ecoaram a promessa do candidato Rollemberg na indicação dos administradores das cidades, o governo nomeou sete interinos para assumir trinta e uma administrações regionais. As cidades já estavam abandonadas. A partir de qualquer uma delas, não é possível gerir todas as outras. Também não é possível que o nomeado faça um “rodízio de gestão”, visitando uma a uma das administrações sobre sua responsabilidade. Resultado: paralisação dos serviços públicos e incontáveis prejuízos para as comunidades.
Tendência de unificar essas administrações é outra leitura que se pode fazer da medida extraordinária de ajuntamento de administrações. Mas isso seria uma enorme contradição entre o discurso do candidato Rollemberg – que prometeu eleições diretas e, inicialmente, ouvir as entidades na indicação dos administradores, e o governo Rollemberg.
Claro dizer que o jogo é difícil para o governo, mas a promessa feita por um Senador da República não pode ter como solução “colocar a bola debaixo do braço” e acabar com a partida, que seria pior do que a derrota do Brasil pra Alemanha na Copa por 7 x 1. Analisar cada caso e dialogar é o que se espera enquanto não sai da gaveta a solução que, certamente, o candidato Rollemberg guardou para aventurar-se nessa proposta que angariou milhares de votos nas regiões administrativas do DF.

Não se acerta em sete dias. Mas, se são sete dias de erros e desacertos, eles poderão se transformar nos sete dias que podem abalar o Distrito Federal.

Chico Morbeck
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