quinta-feira, 31 de março de 2016

Segunda carta de um funcionário público federal a Sérgio Moro

quarta-feira, 30 de março de 2016


Juiz Moro,

Em carta que lhe enderecei há um ano atrás, (*) tratei-o  de senhor e vossa excelência. Desta feita, tive que recorrer ao Dicionário para encontrar algumas definições para essa aberração entocada e entogada em que você se transformou.

Posso adjetivar o substantivo HOMEM para defini-lo? Talvez, mas em pouquíssimas das centenas de definições que encontrei no dicionário para a palavra homem, me veio, de imediato, sua deprimente  imagem: “Homem: mamífero, bípede”. Ao continuar, uma outra me pareceu também você “lavado” e cuspido: a imagem do psicótico  “Homem de duas caras: aquele de atitudes ambíguas, falso, dúplice, sem palavra”.

Mas, não será através de dicionário algum – pois nenhum deles é tão preciso ao ponto de descrever alguém com suas desqualificações hominídeas – que conseguirei defini-lo. Faço-o, então, à luz da minha consciência, trazendo a público o que enrubesce meu coração e revolve minha mente; ou, pior,>>>
<<< perderei eternamente o sono se cometesse a covardia de deixar de dizê-lo.

O seu pedido de desculpas ao STF é um ato que lhe define bem: COVARDE. Diz você, de lábios trêmulos “Jamais foi a intenção desse julgador, ao proferir a aludida decisão de 16/03, provocar tais efeitos e, por eles, solicito desde logo respeitosas escusas a este Egrégio Supremo Tribunal Federal". Aqui o dicionário me trás uma outra definição que lhe veste impecavelmente: “Seja homem: expressão com que se manda alguém reagir, ou suportar com coragem um mal”. Só o fez a seus pares do STF, e assim mesmo de calças borradas como é costume de FHC nas horas de pânico. Era à presidenta Dilma, a Lula e sua família, e ao povo mais simples desta nação que você devia, de joelhos, desculpas escancaradas. Mas, enganam-se os que acham que foi sua “altivez”, sua petulância, sua “postura” irretocável ou sua arrogância que o impediram de fazê-lo. Esse ato de extrema covardia está intimamente ligado aos seus transtornos fóbicos e de ansiedade, que assomam-se-lhe quando encara a quadrilha de golpistas que lhe guia a tridente.

Os mesmos golpistas que ajudou a parir, são os que hoje vicejam ao amparo da toga que lhe dá contornos de histórias vampirescas e aroma de naftalina, mas que, genuinamente, serve mesmo é de escudo para que todo o perverso e infame ódio que nutre pela gente do povo não transborde borbulhante por todas as suas cavas.

O país está incendiado, e quem jogou mais combustível nas fogueiras cujas labaredas já esmaeciam foi você, esbraseado pela promessa Global de ser proximamente o novo presidente do Brasil.

As indignidades, covardias, jogo de palavras, que usou desavergonhadamente ao longo desse último ano e meio jamais sairão da memória do povo sofrido mas guerreiro da nossa pátria e, quem sabe, um dia você com sua capa já rota e desbotada pelo tempo de espera  pela prometida presidência, já esquecido pelos filhotes golpistas, ficará cara a cara com o povo que se sente hoje usurpado por tantos facínoras que rasgam nossa Constituição embalados por uma mídia nauseante que inverte essa realidade, e que lá na frente, na hora do encontro seu com o povo, nem lembrará de quem se trata.

Sou um homem de bem... de vida simples, mas de bem. Como servidor público federal nunca cometi um único ato do qual tenha que me envergonhar, ou que, ao embalo dos acontecimentos, uma noite durma, e na outra transpire frio de olhos esbugalhados vendo no teto do quarto como numa tele de cinema o povo ruminar as impatrióticas e vergonhosas decisões, aparições, trejeitos para as fotos e descaramentos cometidos. Não, isso jamais.

Qualquer cidadão de bem sentiria vergonha se, no trânsito, fosse repreendido por outro ao lhe flagrar cometendo alguma infração, mas, duvido que esse mesmo envergonhado cidadão, sequer enrubescesse com uma sentença desfavorável proferida por você.

(*)>http://rodolfovasconcellos.blogspot.com.br/2015/04/carta-ao-juiz-sergio-moro.html<

Rodolfo Vasconcellos
Funcionário Público Federal

Fonte: http://rodolfovasconcellos.blogspot.com.br/2016/03/segunda-carta-de-um-funcionario-publico.html?m=1
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