sábado, 27 de julho de 2013

SECRETARIA DE MULHERES PROMOVE “CAÇA AOS BRUXOS”

OPINIÃO
Depois da espetacular criação da Secretaria de Transparência e Controle, que ilude a população do Distrito Federal com pretensa moralidade, mas não passa de polícia política do governador Agnelo para fritar quem ouse atravessar em seu caminho, temos mais um indício da construção de um estado policial. 
Dois estudantes da UnB de posse de uma faixa com um frase infeliz (equivocada, é claro) é a bola da vez dos algozes da moralidade institucionalizada no governo federal.
Conforme publicado no Estadão neste sábado, na avaliação da Secretaria das Mulheres, a condenação criminal por apologia é fundamental
para mostrar que conduta semelhante à dos jovens não pode ser tolerada. "Para a Secretaria de Política para Mulheres existem duas coisas fundamentais. Para nós, estupro é crime. E qualquer apologia ou tolerância também", destacou a secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Aparecida Gonçalves, que fez representação do caso para o Ministério Público.
O que fazem essas senhoras? Não assistem a apologia ao sexo fácil e à prostituição nas novelas brasileiras na sessão da tarde e nos horários nobres? Não assistem aos programas de auditório com dançarinas profissionais que tem seus corpos expostos como mercadoria todas as semanas? Por que a fúria contra dois estudantes e nada contra a Rede Globo, a Rede Record e as outras que fazem apologia à banalização do sexo e das opções de gênero, antecipando e estimulando crianças e pré-adolescentes ao jogo da sedução como valor social, muito antes deles terem aprendido a ler e a escrever corretamente?
Beira ao escárnio o gesto insano de “queimar os bruxos” que a Secretaria de Política para as Mulheres move contra os acusados. Acaso não se deveria pedir a retratação dos mesmos? Um esclarecimento mínimo que lhes permita usar o direito de defesa, cláusula pétrea da constituição? Onde anda o perdão, a indulgência, a tolerância e a compreensão tão próprios do gênero feminino que muito tem a ensinar aos homens? Quem sofreu o crime da frase infeliz do cartaz? Seria então o caso de acusar, de tentativas de crime contra a democracia ou incitação à violência ou à sublevação, os portadores de cartazes das manifestações dizendo “Fora Cabral”, “Já que a bomba é de efeito moral, joga no Congresso Nacional” e “Quando injustiça se torna rotina revolução se torna dever”.

A resposta para a prontidão militariosa e equivocada da Secretaria de Política para as Mulheres vem da Vice-Procuradora Geral da República, Débora Duprat, “Não cabe ao Estado fazer qualquer juízo de valor sobre a opinião de quem quer que seja. Se permitíssemos isso, nós permitiríamos que o Estado proibisse a opinião da minoria, que é a antítese da democracia”. O Estado existe para promover políticas e não para agir como polícia.

Chico Morbeck


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